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20.01.2008 - Nº. 5 = DUAS GARRAFINHAS DE WHISKY ...


------ Duas garrafinhas, exactamente do mesmo tamanho das que estão reproduzidas na imagem, intervieram decisivas nas primeiras horas deste domingo e influenciaram-no por forma a riscá-lo do calendário da minha vida, como se não existisse. Se tivesse morrido nesse decurso, palavra, não teria dado em absoluto por nada.
------O Mário A., que é professor diplomado de artes marciais, é mais novo do que eu 35 anos, mas desde que nos conhecemos, há mais de uma década, tratámo-nos naturalmente por tu e até temos a sensação de que ambos andamos na mesma escola. Começamos por jogar snooker ao sabor de uns copos de cerveja e participamos em empolgantes campeonatos de bilharada. Entretanto, sempre que houve ensejo, fomos às noitadas e às madrugadas em deliberada vertigem. O Mário, dentro de seu ângulo de apreço, considera-me um velhote com pedalada e além do padrão comum em que se quedam os da minha idade.

------Assim, sempre que vem à On Web e se apercebe de que eu estou na sala, ao passar pelo balcão recomenda ao empregado que me sirva um whisky sob a sua conta. Por minha parte, logo que finalizo a bebida, repito a dose e retribuo ao Mário com uma outra. Dois whiskys, afinal, deixam um tipo mais solto no campo das ideias.
------Então, no sábado passado entrei por domingo dentro como se tivesse empreendido uma viagem para muito longe. O Mário entrou na On Web sem que eu desse por isso e mandou servir-me um whisky. Depreendi logo que ele estaria algures na sala. Daí a pouco veio cumprimentar-me e disse: - «Vá, Torre, quando acabares esse, tens aqui mais este». E deixou uma airosa garrafinha Black Label ao pé de mim.
------Logo que finalizei as duas bebidas, encomendei o prosseguimento para ambos e fui junto do Mário pedir-lhe que me emprestasse a sua garrafinha a fim de lado a lado com a minha produzir uma imagem no scanner. De que é que me lembro mais? Lembro-me do empregado ter tirado mais uma garrafa nova da prateleira para continuar a servir-nos. Lembro-me também que acordei às 9 horas da noite de domingo sob intensa sede. É em alturas destas que considero a água fresca um elixir dos deuses...

21.01.2008 - Nº. 6 = PANDÉMICA FUMARADA...



------ Sem mais hipótese que não fosse a de ignorar tudo, estive apenas a ver, a ouvir, a gesticular e a falar sozinho. Entretanto, também estive a lembrar-me dos «horríveis» belos tempos juvenis em que desejava ardentemente fazer 18 anos para poder enfim ir ao cinema fruir à vontade as coisas feias dos adultos, fumar os cigarros que me apetecessem e tirar a carta de condução.
------ Logo que a dona Fátima Campos Ferreira anunciou a presença do representante da ASAE, de imediato disse para o meu fecho de correr que andava de certeza charuto no assunto. Também, assim que Mário Assis Ferreira expôs a panorâmica daqueles que levam a vida a deitar fora legalmente um dinheirão, cogitei sobre o dinheirinho que os pobres estão proibidos de jogar entre si. Tão-só nestes dois lances entende-se tudo e tudo está há séculos muitíssimo mais do que explicado e entendido.
------ Tenho ideia, pela experiência prática que vivo desde o começo do ano, que fumadores e não fumadores de vida a correr compreenderam, mais do que ligeiramente se presuma, o cerne da polémica questão que se está a passar. Afinal, os fumadores mais do que ninguém desejam deixar de fumar e os não fumadores naturalmente agradecem que não haja fumo, sobretudo os familiares dos que fumam. «Isto» é do incrível vinagre que até as moscas atrai.
------ Compreenderam? Oh... Quem não compreende a pandémica fumarada que há tanto tempo se vem fazendo à parte dos cigarros e do seu fumo?!...

22.01.2008 - Nº. 7 = SE É A SÉRIO...
QUEM É QUE TEM ANDADO A BRINCAR COM A SERIEDADE?!...


Enquanto o ano de 2008 naturalmente se desfaz do seu primeiro mês, dada a perturbante ambiência mediática que me envolve - espécie de fedorenta catástrofe sistematicamente metida num preservativo - que penso eu na manhã de 22 de Janeiro quando acordo sob o caudal noticioso da verborrente e depressiva véspera negra?
Ouvi o primeiro-ministro afirmar, contra a opinião unânime dos papagaios-borboleta, que Portugal está em condições de enfrentar e suportar «tudo». Mais: que andarão dois (só?!...) perigosos terroristas paquistaneses - daqueles capazes de se atirarem aos bocadinhos para cima dos inteiros - entretecidos na população, algo que tem de ser tomado a sério, e isto corroborado pelo presidente da República, que presume estar a ameaça sob o controlo das autoridades competentes...
Ora então, dada a insignificância do jardineco à beira mar plantado, o que até aqui era assaz improvável de merecer uma grama de dinamite, num ápice aparece sob a iminência de rebentar inopinadamente em Lisboa ou no Porto? O que terão feito os «portugueses» para que os assassinos fundamentalismas anti-tudo-e-todos eventualmente assestem suas miras sobre as torres de Belém e dos Clérigos?
Não, ó santinho meu, vela por favor quanto puderes pela nossa pandemia georgiana. Estamos tão mal, tão mal, que sequer temos sabido avaliar a enorme benesse que nos tem acobertado a vidinha-videirinha-porreirinha, longe, muito longe do pandemónio que massacra impune milhões de seres humanos.

23.01.2008 - Nº. 8 = IGREJA DO PENSAMENTO



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